0800 643 1090

0800 643 1090

OSTEOPENIA E OSTEOPOROSE – O QUE HÁ DE MAIS ATUAL E ESSENCIAL

 

Entenda como prevenir, diagnosticar e tratar a perda de massa óssea — e o que a ciência revela sobre exercícios, alimentação e microbiota intestinal

 

AVISO IMPORTANTE

Este artigo tem caráter educativo, fundamentado nas evidências científicas disponíveis. Não substitui a avaliação médica individualizada. Exames, tratamentos e suplementações devem considerar as características clínicas e os fatores de risco de cada pessoa.

 

RESUMO

A osteopenia e a osteoporose são condições caracterizadas pela redução da densidade mineral óssea, sendo a osteoporose associada a maior fragilidade e risco de fraturas. Embora mais frequentes após a menopausa e durante o envelhecimento, também podem ocorrer em homens e pessoas mais jovens.

Frequentemente silenciosas, essas condições podem ser identificadas por meio da densitometria óssea e da avaliação dos fatores de risco. O tratamento combina alimentação adequada, atividade física, prevenção de quedas e, quando necessário, medicamentos capazes de reduzir significativamente o risco de fraturas.

Estudos recentes demonstram que os exercícios de fortalecimento muscular e os estímulos mecânicos apropriados podem melhorar a densidade óssea e a capacidade funcional. Pesquisas também investigam a relação entre microbiota intestinal e metabolismo ósseo, embora ainda não existam evidências suficientes para recomendar probióticos como tratamento da osteoporose.

A mensagem central é que a perda óssea pode ser identificada precocemente, sua progressão pode ser reduzida e muitas fraturas podem ser evitadas.

 

  1. O QUE SÃO OSTEOPENIA E OSTEOPOROSE?

Nossos ossos não são estruturas inertes. Ao contrário, constituem tecidos vivos que passam continuamente por processos de renovação.

Durante esse processo, células chamadas osteoclastos removem pequenas porções do tecido ósseo envelhecido, enquanto os osteoblastos participam da formação de novo osso.

Quando existe equilíbrio entre essas atividades, a estrutura óssea tende a se manter estável. Entretanto, com o envelhecimento, alterações hormonais e determinadas doenças, a perda de tecido ósseo pode superar sua formação.

A osteopenia, também denominada baixa massa óssea, representa uma redução da densidade mineral óssea em relação à referência utilizada para adultos jovens.

A osteoporose é uma doença caracterizada pela diminuição da resistência dos ossos, envolvendo redução da massa óssea e alterações de sua microarquitetura. Como consequência, aumenta a possibilidade de fraturas mesmo após pequenos traumas.

A osteopenia pode preceder a osteoporose, mas não representa uma progressão inevitável. Muitas pessoas permanecem com densidade óssea reduzida sem desenvolver fraturas, especialmente quando possuem poucos fatores adicionais de risco (GREGSON et al., 2025).

Entenda a diferença

Condição Característica principal
Densidade óssea normal Massa óssea dentro dos valores de referência
Osteopenia Redução da densidade óssea, sem atingir o limite densitométrico da osteoporose
Osteoporose Baixa resistência óssea e maior risco de fraturas, podendo ser diagnosticada pela densitometria ou por determinados critérios clínicos

É importante compreender que a densidade óssea não é o único determinante de uma fratura. Idade, quedas, fraturas anteriores, resistência muscular e qualidade do tecido ósseo também são fundamentais.

 

  1. POR QUE A MASSA ÓSSEA DIMINUI?

A quantidade de tecido ósseo acumulada ao longo da vida depende de fatores genéticos, nutricionais, hormonais e comportamentais.

Durante a infância e a juventude, ocorre progressivo aumento da massa óssea, com aquisição do chamado pico de massa óssea, geralmente alcançado até o início da vida adulta.

Posteriormente, a capacidade de formar novo tecido ósseo diminui gradualmente.

Nas mulheres, a menopausa representa um período especialmente importante. A redução dos estrogênios acelera a reabsorção óssea, aumentando o risco de osteoporose.

Nos homens, alterações hormonais e o envelhecimento também podem comprometer a estrutura óssea.

 

Principais fatores de risco

  • Idade avançada e menopausa, especialmente precoce.
  • Histórico pessoal de fraturas por pequenos traumas.
  • Histórico familiar de fratura de quadril.
  • Baixo peso corporal e perda significativa de massa muscular.
  • Sedentarismo e imobilização prolongada.
  • Tabagismo e consumo excessivo de álcool.
  • Ingestão insuficiente de cálcio, proteínas e outros nutrientes.
  • Deficiência de vitamina D em situações clinicamente relevantes.
  • Uso prolongado de corticoides, como prednisona.
  • Doenças como hipertireoidismo, hiperparatireoidismo, doença celíaca, doenças inflamatórias intestinais e determinados distúrbios hormonais.

Alguns tratamentos oncológicos também podem acelerar a perda óssea.

Quando a osteoporose decorre predominantemente de uma doença ou medicamento, utiliza-se frequentemente a expressão osteoporose secundária.

Reconhecer essas causas é essencial, pois tratar somente a perda de massa óssea, sem corrigir os fatores responsáveis, pode comprometer os resultados (BRASIL, 2026; GREGSON et al., 2025).

 

  1. QUAIS SÃO OS SINTOMAS E AS COMPLICAÇÕES?

Uma característica da osteoporose é que ela geralmente não provoca sintomas até que ocorra uma fratura.

A diminuição da densidade óssea, por si só, habitualmente não causa dor.

Por isso, muitas pessoas convivem durante anos com perda óssea progressiva sem perceber qualquer alteração.

As manifestações mais importantes estão relacionadas às fraturas por fragilidade, especialmente nas vértebras, no quadril e no punho.

As fraturas vertebrais podem causar dor nas costas, redução da altura e aumento da curvatura da coluna, conhecida como cifose. Algumas, entretanto, ocorrem sem dor evidente.

As fraturas de quadril estão entre as complicações mais graves, pois podem exigir cirurgia, hospitalização e reabilitação prolongada, comprometendo a mobilidade e a independência.

Segundo a diretriz internacional publicada por Gregson e colaboradores (2025), uma fratura prévia constitui um dos indicadores mais importantes de risco de novas fraturas, especialmente no período imediatamente posterior ao primeiro evento.

Por isso, uma fratura após queda da própria altura em uma pessoa mais velha deve motivar avaliação da saúde óssea, mesmo que o paciente nunca tenha recebido diagnóstico de osteoporose.

 

  1. COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

O diagnóstico combina avaliação clínica, identificação dos fatores de risco e exames apropriados.

O principal exame utilizado para medir a densidade mineral óssea é a densitometria por dupla energia de raios X (DXA).

Trata-se de um procedimento rápido, indolor e com baixa exposição à radiação, que avalia principalmente a coluna lombar e o quadril.

O resultado apresenta um índice denominado T-score, que compara a densidade óssea do paciente com a de uma população de referência de adultos jovens.

 

Como interpretar o T-score?

Resultado Classificação
T-score igual ou superior a −1,0 Normal
T-score inferior a −1,0 e superior a −2,5 Osteopenia
T-score igual ou inferior a −2,5 Osteoporose

Esses critérios são aplicáveis principalmente às mulheres após a menopausa e aos homens com 50 anos ou mais, utilizando regiões anatômicas apropriadas.

Em mulheres antes da menopausa e homens mais jovens, a interpretação é diferente, geralmente privilegiando o Z-score e a investigação clínica (ISCD, 2023).

A densitometria não deve ser interpretada isoladamente. Uma pessoa com osteopenia e fratura prévia pode apresentar risco maior do que outra com osteoporose densitométrica, mas sem outros fatores relevantes.

 

Quem deve investigar a saúde óssea?

De modo geral, recomenda-se avaliação densitométrica para mulheres a partir dos 65 anos e homens a partir dos 70 anos, além de pessoas mais jovens que apresentem fatores de risco significativos.

Uma ferramenta particularmente útil é o FRAX, que estima a probabilidade de determinadas fraturas osteoporóticas nos próximos dez anos.

O FRAX considera idade, sexo, peso, altura, fraturas anteriores, tabagismo, uso de corticoides e outros fatores. Pode incorporar a densidade óssea do colo femoral.

No Brasil, existe uma versão adaptada para a população brasileira, com instrumentos de interpretação de risco disponibilizados pela Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO).

O intervalo entre densitometrias deve ser individualizado, considerando o risco de fraturas, o resultado anterior e a presença de tratamento.

Neste artigo, abordamos apenas os conceitos essenciais da densitometria. Em uma publicação específica, explicaremos detalhadamente suas indicações, interpretação e limitações.

 

  1. PREVENÇÃO: A IMPORTÂNCIA DOS EXERCÍCIOS FÍSICOS

A atividade física é um dos pilares da prevenção e do tratamento da osteoporose.

Os ossos respondem aos estímulos mecânicos produzidos pela contração muscular e pelo impacto adequado das atividades físicas.

Quando esses estímulos são insuficientes, a tendência é ocorrer perda progressiva de massa óssea.

Entretanto, diferentes exercícios produzem efeitos diferentes.

 

Exercícios de fortalecimento muscular

A musculação e outras formas de treinamento resistido são particularmente relevantes porque estimulam músculos e ossos simultaneamente.

A intensidade deve ser progressiva e individualizada, considerando idade, condicionamento, fragilidade óssea e histórico de fraturas.

 

Um estudo científico interessante: o projeto LIFTMOR

Segundo um ensaio clínico randomizado publicado por Watson e colaboradores (2018), no Journal of Bone and Mineral Research, exercícios resistidos de alta intensidade, combinados com estímulos de impacto e realizados sob supervisão especializada, produziram melhora significativa da densidade óssea em mulheres após a menopausa com osteopenia ou osteoporose.

Após oito meses, o grupo de treinamento apresentou aumento médio de aproximadamente 2,9% na densidade óssea da coluna lombar, enquanto o grupo controle apresentou redução de aproximadamente 1,2%.

Também ocorreram melhorias de força e desempenho funcional.

O resultado é relevante, mas não significa que pessoas com osteoporose devam iniciar exercícios de alta intensidade sem avaliação. O estudo utilizou seleção criteriosa das participantes e supervisão profissional.

 

Caminhada, equilíbrio e prevenção de quedas

Caminhar regularmente oferece benefícios cardiovasculares, metabólicos e funcionais, mas, isoladamente, pode proporcionar estímulo insuficiente para aumentar significativamente a densidade óssea.

Por isso, é recomendável associar caminhadas ao fortalecimento muscular e aos exercícios de equilíbrio.

Segundo uma importante revisão Cochrane, publicada por Sherrington e colaboradores (2019), programas de exercícios reduzem significativamente a ocorrência de quedas em pessoas idosas que vivem na comunidade.

Os melhores resultados ocorreram com atividades que incluíam treinamento de equilíbrio e exercícios funcionais.

Pilates, tai chi e outras modalidades também podem contribuir para postura, coordenação e equilíbrio, dependendo da forma como são aplicadas.

 

Quais exercícios priorizar?

Modalidade Principal benefício
Musculação e exercícios resistidos Estímulo ósseo, aumento da força e preservação muscular
Caminhadas Condicionamento geral, mobilidade e saúde cardiovascular
Exercícios de equilíbrio Redução de quedas
Treinamento funcional Melhora da capacidade de realizar atividades diárias
Pilates adaptado Postura, estabilidade e controle corporal
Exercícios com impacto apropriado Estímulo à formação e manutenção óssea

Na presença de fraturas vertebrais ou osteoporose avançada, determinados movimentos de flexão intensa da coluna, torções bruscas e impactos elevados podem ser inadequados.

O exercício ideal não é necessariamente o mais intenso, mas aquele que combina estímulo ósseo eficaz, fortalecimento muscular e segurança.

 

  1. ALIMENTAÇÃO, CÁLCIO, PROTEÍNAS E SUPLEMENTAÇÃO

A saúde óssea depende da disponibilidade adequada de energia, proteínas, vitaminas e minerais.

O cálcio é um de seus componentes estruturais mais importantes. Entretanto, a qualidade óssea depende também da matriz proteica e de numerosos mecanismos metabólicos.

 

Cálcio: preferencialmente pela alimentação

As recomendações de ingestão variam conforme idade, sexo e diretrizes utilizadas. Muitas orientações internacionais consideram aproximadamente 1.000 a 1.200 mg diários para adultos mais velhos e grupos de maior risco.

Entre as fontes alimentares estão leite, iogurte, queijos, sardinhas consumidas com espinhas, tofu enriquecido com cálcio e determinados vegetais.

A suplementação pode ser necessária quando a alimentação não fornece quantidades suficientes.

Entretanto, não é recomendável utilizar doses elevadas indiscriminadamente, pois o excesso pode aumentar o risco de efeitos adversos, incluindo cálculos renais em pessoas suscetíveis.

 

Proteínas e preservação muscular

As proteínas participam da estrutura óssea e são fundamentais para manutenção da musculatura.

Em pessoas idosas, a ingestão proteica insuficiente pode contribuir para perda muscular, fragilidade e maior risco de quedas.

Uma alimentação adequada, associada ao treinamento resistido, contribui para preservar a massa e a força musculares.

O excesso de ingestão proteica também não é recomendado. A palavra de ordem é sempre o equilíbrio.

 

Vitamina D: essencial, mas sem exageros

A vitamina D participa da absorção intestinal de cálcio e da regulação do metabolismo ósseo.

Sua deficiência pode comprometer a mineralização dos ossos e aumentar o risco de alterações musculoesqueléticas.

Entretanto, mais vitamina D não significa necessariamente mais proteção óssea.

Um grande estudo publicado por LeBoff e colaboradores (2022), envolvendo 25.871 participantes, avaliou o uso de 2.000 UI diárias de vitamina D durante acompanhamento mediano de 5,3 anos.

Entre adultos geralmente saudáveis, não selecionados por deficiência de vitamina D ou osteoporose, a suplementação não reduziu significativamente a ocorrência de fraturas.

O resultado reforça que a suplementação deve ser orientada por necessidades e indicações clínicas, e não pela ideia de que doses maiores proporcionam benefícios adicionais.

A diretriz da Endocrine Society publicada por Demay e colaboradores (2024) também recomenda cautela quanto à suplementação excessiva e à realização indiscriminada de exames de vitamina D em pessoas saudáveis.

Pacientes com osteoporose, má absorção ou outros fatores de risco podem ter necessidades específicas.

A vitamina D será abordada com maior profundidade em outro artigo, incluindo metabolismo, exames laboratoriais, indicações de suplementação, doses e riscos do excesso.

 

  1. QUANDO O TRATAMENTO MEDICAMENTOSO É NECESSÁRIO?

Nem toda pessoa com osteopenia precisa de medicamentos, mas algumas apresentam risco de fratura suficientemente elevado para justificar tratamento.

Por outro lado, indivíduos com osteoporose ou determinadas fraturas por fragilidade frequentemente necessitam de terapia farmacológica, além das medidas de estilo de vida.

As principais opções incluem:

Bisfosfonatos: medicamentos como alendronato, risedronato e ácido zoledrônico reduzem a reabsorção óssea e possuem evidências consistentes de prevenção de fraturas. São frequentemente utilizados como tratamento inicial.

Denosumabe: medicamento que reduz a atividade dos osteoclastos. Pode ser indicado em situações específicas, mas sua interrupção ou atraso sem planejamento pode provocar perda óssea acelerada e aumentar o risco de fraturas vertebrais.

Medicamentos formadores de osso: teriparatida e romosozumabe podem ser considerados em pacientes selecionados, especialmente quando o risco de fraturas é muito elevado. Após seu uso, geralmente é necessária terapia antirreabsortiva para preservar os benefícios.

O romosozumabe requer avaliação cuidadosa do risco cardiovascular.

As escolhas dependem também da função renal, das condições clínicas, dos eventos adversos potenciais e da disponibilidade dos medicamentos no sistema de saúde (QASEEM et al., 2023; GREGSON et al., 2025).

 

Um estudo que mudou a compreensão da osteopenia

Segundo um importante ensaio clínico publicado por Reid e colaboradores (2018), no New England Journal of Medicine, o ácido zoledrônico reduziu significativamente o risco de fraturas em mulheres com 65 anos ou mais que apresentavam osteopenia.

Ao longo de seis anos, ocorreram fraturas por fragilidade em 190 mulheres do grupo placebo, contra 122 do grupo tratado, entre aproximadamente 2.000 participantes.

O risco relativo de fratura foi reduzido em cerca de 37%.

Mais recentemente, Bolland e colaboradores (2025) publicaram, também no New England Journal of Medicine, um estudo envolvendo 1.054 mulheres de 50 a 60 anos, acompanhadas durante dez anos.

A administração pouco frequente de ácido zoledrônico reduziu a ocorrência de fraturas vertebrais identificadas radiologicamente, mesmo em mulheres cuja densidade óssea não preenchia os critérios de osteoporose.

Esses resultados são especialmente interessantes porque demonstram que a decisão de tratar deve considerar o risco global de fraturas, e não apenas o resultado da densitometria.

Não significam, contudo, que todas as pessoas com osteopenia devam receber medicamentos.

A diretriz do American College of Physicians recomenda individualizar essa decisão conforme idade, risco de fraturas, benefícios esperados e possíveis efeitos adversos (QASEEM et al., 2023).

 

  1. MICROBIOTA INTESTINAL E SAÚDE ÓSSEA: UMA NOVA FRONTEIRA DE PESQUISA

Nos últimos anos, pesquisadores passaram a investigar a relação entre a microbiota intestinal e o metabolismo ósseo.

Essa interação é conhecida como eixo intestino-osso.

A microbiota pode participar da regulação óssea por diferentes mecanismos, incluindo influência sobre o sistema imunológico, metabolismo de nutrientes e produção de substâncias como os ácidos graxos de cadeia curta.

O butirato, produzido pela fermentação de determinadas fibras, está entre os metabólitos investigados por seus possíveis efeitos na regulação da inflamação e das células ósseas.

É biologicamente plausível que alterações da microbiota influenciem, em determinadas condições, o equilíbrio entre formação e reabsorção óssea.

Entretanto, a maior parte dessas relações ainda está sendo esclarecida.

 

Estudos com probióticos: resultados promissores, mas contraditórios

Em 2018, Nilsson e colaboradores publicaram, no Journal of Internal Medicine, um ensaio clínico randomizado com 90 mulheres de 75 a 80 anos, apresentando baixa densidade óssea.

Os pesquisadores avaliaram a administração da cepa Lactobacillus reuteri ATCC PTA 6475 durante 12 meses.

O grupo tratado apresentou menor perda de densidade óssea volumétrica da tíbia em comparação ao placebo. O efeito foi relativamente pequeno, mas despertou interesse na possibilidade de utilizar determinadas bactérias como estratégia complementar.

Em 2019, Jansson e colaboradores publicaram, no The Lancet Rheumatology, outro ensaio clínico randomizado, com 249 mulheres após a menopausa, utilizando uma combinação de três cepas de Lactobacillus.

Após um ano, o grupo tratado apresentou menor perda de densidade óssea na coluna lombar, com diferença média de aproximadamente 0,71 ponto percentual em relação ao placebo.

Entretanto, pesquisas posteriores não confirmaram todos esses benefícios.

Em 2024, Gregori e colaboradores publicaram, no JAMA Network Open, um estudo randomizado envolvendo 239 mulheres no início da pós-menopausa.

Após dois anos de suplementação com Limosilactobacillus reuteri 6475, não foram observados benefícios significativos sobre a densidade óssea da tíbia, coluna ou quadril em comparação com placebo.

 

O que mostram as metanálises mais recentes?

Uma revisão sistemática e metanálise publicada por Hidayat e colaboradores (2026) encontrou benefícios médios modestos sobre a densidade óssea da coluna lombar e, em menor magnitude, do quadril, mas não demonstrou melhora consistente em todos os locais avaliados.

Outra metanálise, publicada por Liu e colaboradores em setembro de 2026, reuniu 11 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 1.388 participantes.

Na análise global, não foi observado benefício significativo dos probióticos sobre a densidade mineral óssea. Algumas análises de subgrupos sugeriram possíveis efeitos favoráveis de determinadas cepas de Lactobacillus sobre a coluna lombar.

Essas diferenças mostram que os resultados podem depender da população, das cepas utilizadas, da duração e das características dos estudos.

É importante destacar que pequenas modificações da densidade óssea não equivalem necessariamente à prevenção comprovada de fraturas.

Conclusão científica: a relação entre microbiota e metabolismo ósseo é promissora, mas ainda não existem evidências suficientes para recomendar probióticos como tratamento estabelecido da osteopenia ou da osteoporose, nem para substituir as terapias convencionais.

Uma alimentação rica em diferentes fontes vegetais, fibras e nutrientes continua sendo uma estratégia importante para a saúde intestinal e geral, embora não se possa afirmar que sua ação sobre a microbiota previna diretamente fraturas osteoporóticas.

 

  1. RESUMO PRÁTICO: O QUE REALMENTE FUNCIONA?
Medida Benefício esperado Fundamentação científica
Exercícios resistidos e adaptados Preservação ou melhora da densidade óssea e da força Consistente
Treinamento de equilíbrio Redução de quedas Alta
Alimentação adequada Fornecimento de nutrientes necessários ao metabolismo ósseo Consistente
Cálcio Correção da ingestão insuficiente Bem estabelecida
Vitamina D Correção de deficiência e suporte ao metabolismo ósseo Bem estabelecida em indicações específicas
Bisfosfonatos Redução de fraturas em pacientes apropriados Alta
Denosumabe e terapias formadoras de osso Redução de fraturas em indicações específicas Alta
Probióticos para osteoporose Possível influência sobre a densidade óssea Preliminar e inconsistente

A abordagem mais eficaz costuma combinar diferentes medidas, conforme o risco individual.

 

  1. CONCLUSÃO: PRESERVAR OS OSSOS É PRESERVAR A INDEPENDÊNCIA

A osteopenia e a osteoporose representam condições importantes de saúde pública, especialmente diante do envelhecimento da população.

Sua principal ameaça não é simplesmente a diminuição da densidade óssea, mas o aumento do risco de fraturas e suas consequências sobre mobilidade, autonomia e qualidade de vida.

Entretanto, existem razões consistentes para uma perspectiva otimista.

Atualmente, dispomos de métodos capazes de identificar indivíduos sob maior risco, medicamentos que reduzem significativamente a ocorrência de fraturas e intervenções de estilo de vida que contribuem para preservar a força muscular, a função física e a saúde óssea.

O exercício físico merece especial destaque. Além de estimular o tecido ósseo, melhora a musculatura, o equilíbrio e a capacidade de realizar atividades cotidianas.

A alimentação adequada, a correção de deficiências nutricionais e a prevenção de quedas completam essa abordagem.

A investigação da microbiota intestinal amplia nossa compreensão sobre o metabolismo ósseo, mas ainda representa um campo em desenvolvimento, no qual resultados promissores precisam ser confirmados antes de sua aplicação rotineira.

A principal mensagem é que a saúde óssea não depende apenas da quantidade de cálcio nos ossos. Ela resulta da interação entre metabolismo, hormônios, alimentação, atividade física, musculatura e condições gerais de saúde.

Por isso, prevenir a osteoporose deve começar muito antes do aparecimento das primeiras fraturas.

E, quando a doença já está presente, o objetivo não deve ser apenas melhorar o resultado da densitometria, mas reduzir o risco de fraturas, preservar a mobilidade e permitir que as pessoas envelheçam com saúde, autonomia e qualidade de vida.

 

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

BOLLAND, M. J. et al. Fracture Prevention with Infrequent Zoledronate in Women 50 to 60 Years of Age. The New England Journal of Medicine, v. 392, p. 239-248, 2025. DOI: https://doi.org/10.1056/NEJMoa2407031.

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. Anexo atualizado em 29 jan. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/o/osteoporose/view. Acesso em: 27 out. 2026.

DEMAY, M. B. et al. Vitamin D for the Prevention of Disease: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 109, n. 8, p. 1907-1947, 2024. DOI: https://doi.org/10.1210/clinem/dgae290.

GREGORI, G. et al. Limosilactobacillus reuteri 6475 and Prevention of Early Postmenopausal Bone Loss: A Randomized Clinical Trial. JAMA Network Open, v. 7, n. 6, e2415455, 2024. DOI: https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2024.15455.

GREGSON, C. L. et al. The 2024 UK clinical guideline for the prevention and treatment of osteoporosis. Archives of Osteoporosis, v. 20, art. 119, 2025. DOI: https://doi.org/10.1007/s11657-025-01588-3.

HIDAYAT, K. et al. Probiotic Supplementation and Bone Health Parameters in Adults: A Systematic Review and Meta-Analysis. Osteoporosis International, v. 37, n. 1, p. 41-56, 2026. DOI: https://doi.org/10.1007/s00198-025-07691-y.

INTERNATIONAL SOCIETY FOR CLINICAL DENSITOMETRY (ISCD). Official Adult Positions. Middletown: ISCD, 2023. Disponível em: https://iscd.org/official-positions-2023/. Acesso em: 27 out. 2026.

JANSSON, P.-A. et al. Probiotic treatment using a mix of three Lactobacillus strains for lumbar spine bone loss in postmenopausal women: a randomised, double-blind, placebo-controlled, multicentre trial. The Lancet Rheumatology, v. 1, n. 3, p. e154-e162, 2019. DOI: https://doi.org/10.1016/S2665-9913(19)30068-2.

LEBOFF, M. S. et al. Supplemental Vitamin D and Incident Fractures in Midlife and Older Adults. The New England Journal of Medicine, v. 387, p. 299-309, 2022. DOI: https://doi.org/10.1056/NEJMoa2202106.

LIU, L. et al. Strain-specific and dose-dependent clinical efficacy of probiotics on bone mineral density improvement in postmenopausal women: a meta-analysis based on RCT studies. Nutrition & Metabolism, v. 23, art. 126, 2026. DOI: https://doi.org/10.1186/s12986-026-01194-1.

NILSSON, A. G. et al. Lactobacillus reuteri reduces bone loss in older women with low bone mineral density: a randomized, placebo-controlled, double-blind, clinical trial. Journal of Internal Medicine, v. 284, n. 3, p. 307-317, 2018. DOI: https://doi.org/10.1111/joim.12805.

QASEEM, A. et al. Pharmacologic Treatment of Primary Osteoporosis or Low Bone Mass to Prevent Fractures in Adults: A Living Clinical Guideline From the American College of Physicians. Annals of Internal Medicine, v. 176, n. 2, p. 224-238, 2023. DOI: https://doi.org/10.7326/M22-1034.

REID, I. R. et al. Fracture Prevention with Zoledronate in Older Women with Osteopenia. The New England Journal of Medicine, v. 379, p. 2407-2416, 2018. DOI: https://doi.org/10.1056/NEJMoa1808082.

SHERRINGTON, C. et al. Exercise for preventing falls in older people living in the community. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 1, CD012424, 2019. DOI: https://doi.org/10.1002/14651858.CD012424.pub2.

WATSON, S. L. et al. High-Intensity Resistance and Impact Training Improves Bone Mineral Density and Physical Function in Postmenopausal Women With Osteopenia and Osteoporosis: The LIFTMOR Randomized Controlled Trial. Journal of Bone and Mineral Research, v. 33, n. 2, p. 211-220, 2018. DOI: https://doi.org/10.1002/jbmr.3284.